As “zebras” do Mundial 2026 – As seleções que ninguém esperava nos Quartos de Final

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Os Campeonatos do Mundo vivem de grandes campeões, estrelas consagradas e seleções habituadas a lutar pelo troféu, mas, de quatro em quatro anos, há equipas que desafiam todas as previsões e transformam a competição numa história de superação.

No mundo do futebol, apelidamos estes conjuntos de “zebras”, ou seja, seleções que chegam muito mais longe do que os especialistas antecipavam e acabam por conquistar a admiração dos adeptos em todo o mundo.

O Mundial de 2026 não fugiu à regra.

Entre as oito seleções que continuam em prova, há algumas presenças esperadas, como França, Inglaterra, Espanha e Argentina, no entanto, Marrocos, Noruega, Bélgica e Suíça acabaram por protagonizar campanhas que poucos imaginavam antes do início da competição, cada uma por razões diferentes.

Algumas eliminaram favoritos, outras quebraram longos jejuns históricos, enquanto outras confirmaram uma evolução sustentada que já vinha sendo construída nos últimos anos.

Marrocos: A confirmação de que 2022 não foi obra do acaso

Quando Marrocos surpreendeu o mundo ao atingir as meias-finais do Mundial de 2022, muitos encararam esse percurso como uma exceção difícil de repetir, no entanto, quatro anos depois, os “Leões do Atlas” provaram exatamente o contrário.

A seleção africana voltou a apresentar uma organização defensiva exemplar, uma enorme disciplina tática e uma capacidade impressionante de explorar os espaços em transição.

Depois de ultrapassar uma fase de grupos bastante exigente, confirmou o excelente momento ao eliminar o Canadá por 3-0 nos oitavos de final, garantindo um novo lugar entre as oito melhores seleções do planeta.

Muito deste sucesso continua a passar pela liderança de Achraf Hakimi, um dos melhores laterais-direitos do futebol mundial, mas também pela maturidade coletiva da equipa.

Marrocos já não depende apenas de momentos individuais, hoje apresenta uma identidade muito própria, baseada na solidez defensiva, na intensidade sem bola e na enorme eficácia nos momentos decisivos.

O duelo com a França representa agora muito mais do que um simples jogo dos quartos de final, é uma oportunidade para mostrar que a elite do futebol mundial já não pertence exclusivamente às tradicionais potências europeias e sul-americanas.

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Noruega: Finalmente de volta ao topo do futebol mundial

Poucas histórias conseguem superar a da Noruega, já que durante quase três décadas, uma das seleções com maior talento individual da Europa falhou consecutivamente em obter presença nas grandes competições internacionais.

Tudo mudou em 2026.

Depois de garantir a qualificação para um Campeonato do Mundo pela primeira vez desde 1998, os noruegueses deram continuidade ao crescimento e protagonizaram uma das maiores surpresas do torneio ao eliminar o Brasil por 2-1 nos oitavos de final.

É impossível falar deste percurso sem mencionar Erling Haaland, o avançado assumiu novamente um papel decisivo, mas a campanha norueguesa vai muito além do seu goleador.

Martin Ødegaard continua a comandar o meio-campo com enorme qualidade, enquanto a equipa demonstra uma organização coletiva muito superior àquela que apresentava há poucos anos.

Independentemente do resultado frente à Inglaterra, a Noruega já protagonizou uma das campanhas mais marcantes deste Mundial e devolveu entusiasmo a uma seleção que parecia afastada da elite internacional.

Bélgica: O renascimento de uma geração

A Bélgica talvez seja a surpresa mais curiosa destes quartos de final, não porque lhe falte qualidade, mas porque muitos acreditavam que o melhor período da chamada “geração dourada” já tinha terminado.

Depois das desilusões em competições recentes, poucos colocavam os belgas entre os principais candidatos a chegar tão longe, contudo, a resposta dentro de campo foi extremamente convincente.

A vitória por 4-1 sobre os Estados Unidos nos oitavos de final mostrou uma seleção renovada, mais dinâmica e muito eficaz no ataque. Charles De Ketelaere assumiu protagonismo ofensivo, enquanto Jérémy Doku voltou a demonstrar toda a sua velocidade e capacidade para desequilibrar no um para um.

Mesmo perante a grave lesão de Amadou Onana, um dos pilares do meio-campo, a Bélgica continua a apresentar argumentos suficientes para discutir a passagem às meias-finais frente à Espanha.

Mais do que uma surpresa pontual, esta campanha pode representar o início de um novo ciclo competitivo para uma seleção que continua a produzir talento de enorme qualidade.

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Suíça: A força da organização coletiva

Ao contrário de outras seleções presentes nos quartos de final, a Suíça não constrói a sua identidade em torno de grandes estrelas mundiais, sendo que o segredo continua a estar na organização, na disciplina tática e na consistência competitiva.

Nos oitavos de final protagonizou um dos jogos mais equilibrados da competição ao eliminar a Colômbia apenas nas grandes penalidades, quebrando um jejum de 72 anos sem atingir os quartos de final de um Campeonato do Mundo.

Mesmo enfrentando lesões importantes durante o torneio, o selecionador Murat Yakin conseguiu adaptar o modelo de jogo e reforçar ainda mais a consistência defensiva da equipa.

Agora terá pela frente a campeã mundial Argentina, mas a história recente demonstra que poucas seleções conseguem desmontar facilmente a estrutura coletiva suíça.

Por que existem sempre “zebras” num Campeonato do Mundo?

O novo formato do Mundial, com 48 seleções, abriu espaço para uma maior diversidade competitiva, mas também demonstrou como as diferenças entre as principais seleções diminuíram significativamente.

Hoje, praticamente todas as equipas chegam ao torneio com jogadores nas melhores ligas europeias, treinadores altamente qualificados e uma preparação física muito semelhante.

Além disso, as fases a eliminar favorecem frequentemente equipas extremamente organizadas defensivamente, basta um jogo conseguido, uma transição rápida ou um desempate por penáltis para alterar completamente o rumo da competição.

Foi exatamente isso que aconteceu em 2026.

Marrocos confirmou o crescimento iniciado há quatro anos, a Noruega aproveitou finalmente uma geração extraordinária, a Bélgica encontrou um novo equilíbrio competitivo e a Suíça voltou a provar que a organização coletiva continua a ser uma das maiores armas do futebol moderno.

As surpresas que tornam o Mundial especial

Se os favoritos continuam a dominar as previsões, são as chamadas “zebras” que tornam um Campeonato do Mundo verdadeiramente inesquecível e, sem campanhas como as de Marrocos, Noruega, Bélgica ou Suíça, o torneio perderia parte da imprevisibilidade que o distingue de qualquer outra competição internacional.

São estas seleções que desafiam rankings, derrubam candidatos ao título e recordam que, no futebol, a diferença entre vencer e ser eliminado pode resumir-se a um único lance.

À entrada para os quartos de final, todas continuam a sonhar com algo ainda maior, mas independentemente do desfecho, já conquistaram um lugar entre as grandes protagonistas deste Mundial de 2026.

E se há uma lição que esta edição deixa bem clara, é que o futebol continua a recompensar quem acredita, trabalha e desafia as probabilidades.

É precisamente por isso que, de quatro em quatro anos, milhões de adeptos continuam a apaixonar-se pelo Campeonato do Mundo.

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