Começamos a nossa análise por este Campeonato do Mundo 2026 com uma passagem pelos Grupos A e B, onde existe margem para muitas surpresas, sobretudo pelo equilíbrio existente entre as equipas.
O Grupo A abre o torneio com um jogo de simbolismo particular: México e África do Sul no Azteca, a 11 de junho, os mesmos rivais que inauguram o Mundial em 2010. O anfitrião joga em casa, em altitude, com a Coreia do Sul e a Chéquia a completar uma chave equilibrada.
Nenhuma das quatro seleções chega com pressão de favorita ao título, o que torna as contas de apuramento imprevisíveis até à última jornada.
No Grupo B que reúne o Canadá, o segundo anfitrião do torneio, com a Suíça, o Qatar e a Bósnia e Herzegovina, que chegou ao Mundial depois de eliminar País de Gales e Itália nos penáltis do playoff europeu.
Os canadenses jogam em Toronto e Vancouver com o peso de nunca ter vencido um jogo numa fase final de Mundial.
Grupo A
México
O fator casa, será essencial para a seleção do México, sendo que o conjunto mexicano teve as suas melhores prestações da história em 1970 e 1986, quando também receberam esta competição.
A equipa do México conta com uma solidez defensiva acima da média nesta geração, com vários jogadores em destaque como Johan Vasquez, César Montes e Edson Alvarez, sobretudo o último, que controla o meio-campo defensivo.
No entanto, estamos perante uma seleção que conta com muitos jogadores em claro declínio em termos qualitativos, como por exemplo Ochoa, que aos 40 anos, já atua apenas no campeonato cipriota.
Em termos ofensivos, estamos perante um conjunto com algumas debilidades na construção de jogo, sendo que se encontrarem um bloco defensivo mais baixo, terão dificuldades em “desmontar a defesa”.
Principais jogadores
Santiago Gimenez
Raul Jimenez
Edson Alvarez
Estrela em ascensão
Gilberto Mora (Jogador de apenas 17 anos)

Coreia do Sul
Os coreanos têm sido uma das seleções mais sólidas do futebol asiático nas últimas décadas, tendo sempre como grande rival o Japão, no entanto, parte para a 11ª participação consecutiva em Mundiais.
Conhecidos pela sua disciplina coletiva e pela capacidade de “encher o campo”, os coreanos contam com uma equipa muito dotada tecnicamente, onde se destacam Kang Lee do PSG e Heung Min Son, que realiza aqui o seu quarto mundial.
Apesar de possuírem talento no ataque, em jogos decisivos, têm tendência a adotar uma estratégia mais defensiva, sendo que, com um plantel muito pouco homogéneo, é difícil existir qualidade em todas as posições.
Principais jogadores
Heung Min Son
Kang Lee
Kim Min Jae
Estrela em ascensão
Oh (Transferido para o Besiktas, proveniente do futebol belga)
África do Sul
O campeonato sul-africano tem evoluído recentemente com a chegada de maior talento internacional, o que tem beneficiado as equipas de topo nesta competição (8 jogadores provenientes do Mamelodi Sundowns e outros 8 dos Orlando Pirates.
Defensivamente, estamos perante um conjunto que irá ser muito disciplinado taticamente, sobretudo nas transições defensivas, onde o grande destaque está no experiente Ronwen Williams, um guarda-redes que foi decisivo na última Champions Africana.
Apesar de tudo, a última vez que marcaram presença num Mundial foi em 2010, na qualidade de anfitrião, nunca conseguindo se destacar entre as restantes seleções africanas, muito devido à falta de qualidade individual relativamente a outros países.
Principais jogadores
Lyle Foster
Teboho Mokoena
Ronwen Williams
Estrela em ascensão
Relebohile Mofokeng (Uma das maiores promessas do futebol africano da atualidade)
Chéquia
Os checos chegam a esta competição através dos playoffs, no entanto, serão uma equipa muito incomodativa para os adversários que tiverem pela frente.
Muito fortes no jogo aéreo e em outras vertentes das bolas paradas, a organização dos checos poderá fazer a diferença em jogos decisivos, onde um pormenor irá ser determinante para conseguir uma vitória.
Ao eliminar duas seleções nos playoffs como a Dinamarca e a Irlanda, a Chéquia acabou por “marcar uma posição”, com grande destaque para as exibições do guarda-redes do PSV, Kovar.
Apesar de contarem com algumas individualidades de realce, não são uma equipa com grande abundância de talento criativo, sendo que o líder nesta vertente, Tomas Soucek, chega de uma temporada terrível ao serviço do West Ham.
Principais jogadores
Patrick Schick
Tomas Soucek
Estrela em ascensão
Pavel Sulc (Médio a atuar no Lyon)

Grupo B
Canadá
O fator casa será de grande importância para este conjunto do Canadá, sobretudo quando contam, provavelmente, com um dos conjuntos mais talentosos de sempre desta nação, com vários nomes em destaque.
As transições rápidas serão o “mote” deste conjunto, com jogadores em destaque como Alphonso Davies, Jonathan David e Tajon Buchanan, que podem ser fatais em ataques perigosos a partir de recuperações rápidas.
Defensivamente acabam por ser um pouco vulneráveis e se necessitarem de entrar na sua rotação, as opções existentes no banco não são da mesma qualidade do seu XI base, sobretudo nas laterais, onde não sabemos qual será condição física de Davies.
Principais jogadores
Alphonso Davies
Tajon Buchanan
Jonathan David
Estrela em ascensão
Ismael Koné (Jogador muito importante no Sassuolo esta temporada)

Suiça
Os suíços têm sido presença garantida nas últimas grandes competições do futebol mundial e essa experiência poderá ser muito importante para esta edição do torneio, contando com vários jogadores a atuar em campeonatos de grande nível.
A qualidade defensiva será certamente a chave do sucesso, não só pela equipa compacta que apresentam, mas também pela segurança na baliza, onde o grande destaque é o guarda-redes do Borussia Dortmund, Kobel.
Apesar de contarem com talento evidente, carecem de algumas opções específicas na defesa que poderão criar problemas com o decorrer da competição, sobretudo nas laterais.
Embolo é a grande referência ofensiva deste conjunto, no entanto, além deste jogador, não existe um nome que se destaque e possamos considerar uma verdadeira ameaça.
Principais jogadores
Granit Xhaka
Dan Ndoye
Manuel Akanji
Estrela em ascensão
Johan Mazambi (Médio de apenas 20 anos que esteve em destaque no Freiburg)
Bósnia Herzegovina
Os bósnios protagonizaram uma das grandes surpresas dos playoffs ao eliminar a Itália no jogo decisivo, chegando assim extremamente motivados para esta competição.
A equipa conta com enorme experiência em alguns setores, com jogadores em destaque como Edin Dzeko e Kolasinac, que aportam qualidade e, sobretudo, poderio físico em diferentes posições (são vários os jogadores acima do 1.90m).
Este deverá ser o “último rodeo” de alguns dos jogadores mais determinantes da história desta jovem nação, sendo que, aos 40 anos, Dzeko, disputa aqui os últimos jogos a representar o seu país, não existindo um sucessor legítimo na sua posição.
Falta profundidade a este plantel da Bósnia e com a inconsistência que apresentam em alguns momentos, poderão vir a sofrer com o desenrolar da competição.
Principais jogadores
Edin Dzeko
Ermedin Demirovic
Sead Kolasinac
Estrela em ascensão
Amar Dedic (O defesa esquerdo realizou uma temporada acima do nível no SL Benfica)

Qatar
Esta seleção do Qatar continua a ser um projeto a longo prazo para muitos, no entanto, a verdade é que já não existe assim tanto tempo para talento como Afif e Almoez Ali de se destacarem a nível internacional.
O conjunto qatari está a trabalhar junto há vários anos, existindo um bom entrosamento entre a maioria das individualidades, sobretudo nas transições ofensivas, onde podem ser uma equipa “chata” para os adversários.
Porém, a falta de experiência em Mundiais, associada a uma convocatória que privilegia os jogadores locais a talento internacional e a tremenda vulnerabilidade defensiva, são fatores que tornam esta equipa uma pequena “incógnita” nesta competição.
Principais jogadores
Akram Afif
Almoez Ali
Sead Kolasinac
Estrela em ascensão
Jassem Gaber (Apesar de atuar no Al Rayyan, é um dos jogadores a poder dar o salto para a Europa)