Continuamos a análise ao Campeonato do Mundo 2026 com os Grupos C e D, onde se encontram duas das seleções mais observadas do torneio: o Brasil de Carlo Ancelotti, a tentar acabar com 24 anos sem título, e os Estados Unidos, a terceira e última seleção anfitriã, com o peso e o privilégio de jogar diante do seu próprio público.
O Grupo C é dos mais fortes desta fase de grupos: Brasil e Marrocos partilham chave pela segunda vez em Mundiais, e a Escócia regressa ao torneio após 28 anos de ausência. O Haiti completa um grupo que não tem lugar para equipas distraídas.
No Grupo D, os EUA estreiam em Los Angeles contra o Paraguai com a expectativa de toda uma nação nas costas. A Turquia, de Arda Güler e Çalhanoglu, regressa ao Mundial 24 anos depois da sua melhor campanha, e a Austrália tenta provar que tem substância além da regularidade.
Grupo C
Brasil
Carlo Ancelotti assumiu o Brasil com uma missão clara: pôr ordem numa geração de talento individual que nunca funcionou como conjunto.
O técnico italiano, que ganhou quatro Ligas dos Campeões, chega com o prestígio necessário para gerir egos e com um historial de finais que poucos treinadores podem igualar.
O plantel brasileiro tem qualidade em praticamente todas as posições. Vinícius Júnior chega como um dos melhores jogadores do mundo, mas a sua conversão para o contexto da seleção nunca foi linear. Rodrygo, Raphinha e Savinho criam alternativas no ataque; Casemiro e Bruno Guimarães dão estrutura ao meio-campo.
A principal fragilidade do Brasil não está nos nomes, está na coesão. Nos últimos dois Mundiais, 2018 e 2022, a seleção canarinha saiu sempre antes da final, travada por equipas que souberam explorar os momentos em que o coletivo não funcionou.
Principais jogadores
- Vinícius Júnior
- Bruno Guimarães
- Rodrygo
Estrela em ascensão
- Savinho (Extremo do Manchester City, com apenas 22 anos, em grande momento de forma)

Marrocos
A campanha de 2022 no Qatar mudou a forma como o mundo olha para o futebol africano. Marrocos chegou às meias-finais, a melhor prestação de sempre de uma seleção africana num Mundial, e fez isso com uma organização defensiva que neutralizou a Espanha, Portugal e a França até às semifinais.
Regali Walid Regragui mantém grande parte da espinha dorsal dessa equipa: Achraf Hakimi no lado direito, Sofyan Amrabat no meio, Yassine Bounou na baliza. A novidade é Brahim Díaz, que consolidou a sua aposta pela camisola marroquina e chega ao torneio numa das melhores fases da carreira.
O Marrocos não vai atrás da bola — espera, compacta, e transita com velocidade. Contra o Brasil, este padrão vai criar problemas desde os primeiros minutos.
Principais jogadores
- Achraf Hakimi
- Brahim Díaz
- Sofyan Amrabat
Estrela em ascensão
- Ilias Akhomach (Extremo de 21 anos que esteve em destaque no Rayo Vallecano)
Escócia
A Escócia regressa a um Mundial 28 anos depois da sua última participação, em França 1998, e fê-lo de forma dramática, ao eliminar a Dinamarca nos penáltis na última jornada das eliminatórias europeias.
Steve Clarke tem uma equipa com liderança clara: Scott McTominay foi o grande responsável pela qualificação, marcando golos decisivos em momentos cruciais, e Andy Robertson continua na lateral esquerda com o mesmo nível que apresentou no Liverpool..
O problema da Escócia foi sempre a conversão do esforço coletivo em golos, o plantel ofensivo fica aquém dos nomes que tem no meio-campo e na defesa.
Principais jogadores
- Scott McTominay
- Andy Robertson
- John McGinn
Estrela em ascensão
- Ben Doak (Grande destaque da temporada do Bournemouth)
Haiti
O Haiti regressa a um Mundial pela primeira vez desde 1974, 52 anos de ausência, terminados com uma qualificação que passou por cima de seleções da CONCACAF muito mais habituadas a estes palcos.
A equipa é composta maioritariamente por jogadores da diáspora haitiana em França, Canadá e Estados Unidos, sendo que Frantzdy Pierrot, avançado que atua no futebol francês, é o principal nome ofensivo.
Chegar ao torneio já foi o feito desta geração. Qualquer ponto conquistado será uma conquista adicional.
Principais jogadores
- Frantzdy Pierrot
- Steeven Saba
- Derrick Etienne Jr.
Estrela em ascensão
- Keeto Thermoncy (Apesar de atuar nos sub-21 do Young Boys, é um dos destaques desta equipa)

Grupo D
Estados Unidos
Mauricio Pochettino assume a terceira seleção anfitriã do torneio com um plantel que, no papel, é o mais forte da história dos EUA. Christian Pulisic continua a ser o nome de referência, mas ao contrário de edições anteriores, já não é o único capaz de desequilibrar.
Folarin Balogun, de dupla nacionalidade americana e inglesa, escolheu os EUA e chega como o avançado mais ameaçador que a seleção já teve. Tim Weah, do Marselha, Weston McKennie na construção, Tyler Adams na recuperação, há continuidade nos nomes, mas também renovação.
Os EUA jogam em Los Angeles e Seattle diante de bancadas que vão fazer barulho. Essa pressão pode ser motor.
Principais jogadores
- Christian Pulisic
- Folarin Balogun
- Weston McKennie
Estrela em ascensão
- Cade Cowell (Extremo de 22 anos do Guadalajara, um dos perfis mais interessantes da nova geração americana)
Turquia
A Turquia está num Mundial pela primeira vez desde 2002, ano em que ficou em terceiro lugar, o melhor resultado da sua história. Em 24 anos de ausência, o futebol turco gerou uma das gerações mais talentosas de sempre, e esta edição pode ser o momento certo para a mostrar.
Hakan Çalhanoglu, da Inter de Milão, assume o papel de motor do meio-campo. Aos 32 anos, está na melhor fase da carreira e chega ao torneio com a autoridade de quem conquistou a Serie A e chegou a finais europeias. Arda Güler, do Real Madrid, é a grande esperança criativa, 21 anos, técnica excepcional, mas com historial de lesões que o impediu de ter continuidade. Kenan Yildiz, da Juventus, completa um trio ofensivo com qualidade para incomodar qualquer adversário.
Principais jogadores
- Hakan Çalhanoglu
- Arda Güler
- Kenan Yildiz
Estrela em ascensão
- Can Uzun (Avançado de 20 anos, formado no Nuremberg e atualmente no Eintracht Frankfurt, a consolidar-se na Bundesliga)
Paraguai
O Paraguai chega como o adversário menos mediático do grupo, mas com substância sul-americana suficiente para complicar a vida a qualquer das três seleções que tem pela frente.
O plantel tem uma espinha dorsal sólida: Gustavo Gómez, capitão e defesa central do Palmeiras, é um dos mais experientes em competições sul-americanas; Ramón Sosa e Maurício, também do Palmeiras, dão velocidade nas transições.
O Paraguai raramente encanta, mas raramente facilita, a sua organização defensiva nas eliminatórias da CONMEBOL manteve-o no torneio em jornadas decisivas.
A questão para os paraguaios é o ataque. Sem um avançado de referência consistente ao nível dos que o Brasil ou a Turquia apresentam, vão depender muito dos momentos individuais e das bolas paradas para criar perigo real.
Principais jogadores
- Gustavo Gómez
- Ramón Sosa
- Miguel Almirón
Estrela em ascensão
- Diego Gómez (Médio de 23 anos no Inter Miami, a ganhar regularidade na MLS após passagem pelo futebol europeu)

Austrália
A Austrália está no seu quinto Mundial consecutivo, uma regularidade invulgar para uma seleção do continente oceânico. Tony Popovic assumiu o comando depois da saída de Graham Arnold, e a equipa mantém a solidez que a caracteriza: trabalho, organização e capacidade de competir contra adversários mais badalados.
O grande nome continua a ser Mathew Ryan na baliza, um dos guarda-redes mais experientes do torneio. No ataque, a Austrália depende das contribuições de Mitchell Duke e Fran Karacic nas transições.
O plantel tem qualidade suficiente para não ser passado por cima, mas provavelmente não tem o talento individual para vencer os EUA ou a Turquia se ambas estiverem no seu melhor nível.
O comentário de Popovic após o sorteio, descrito como “arrogante” por Landon Donovan, criou uma tensão desnecessária com o anfitrião. Dentro de campo, os Socceroos terão de provar que têm argumento além das palavras do seu treinador.
Principais jogadores
- Mathew Ryan
- Mitchell Duke
- Riley McGree
Estrela em ascensão
- Nestory Irankunda (Extremo de 19 anos do Bayern de Munique, um dos jogadores mais jovens e promissores de toda a competição).