Grupos E & F: Alemanha quer confirmar favoritismo, Países Baixos entram no grupo mais traiçoeiro

Índice

O Grupo E tem um favorito claro e uma série de adversários capazes de tornar o percurso da Alemanha mais complicado do que o sorteio sugere.

No Grupo F, os Países Baixos herdam um dos grupos mais equilibrados do torneio, com o Japão e a Suécia prontos para dificultar qualquer conta de passagem tranquila.

A Alemanha arranca a 14 de junho em Houston contra o Curaçau, na estreia absoluta da seleção caribenha num Mundial. Curaçau já sabe que vai defrontar seguida a Costa do Marfim e o Equador, dois adversários com capacidade real para pontuar. Países Baixos e Japão abrem o torneio em Dallas no mesmo dia, num dos jogos mais atrativos da primeira jornada.

Grupo E

Alemanha

Julian Nagelsmann vai a um segundo Mundial seguido com a Alemanha, depois do fracasso de 2022 no Qatar, onde a seleção saiu na fase de grupos pela segunda edição consecutiva.

O técnico bávaro reconstruiu a equipa com uma mistura de experiência e jovens que cresceram em clubes europeus de topo e o resultado foi um Euro 2024 jogado em casa com eliminação nas meias-finais frente à Espanha.

O regresso de Manuel Neuer à baliza, depois da aposentadoria e da posterior reviravolta, é um dos momentos mais invulgares desta convocatória. Florian Wirtz, do Bayer Leverkusen, chega ao torneio como o criativo mais determinante da seleção. Jamal Musiala dá velocidade e imprevisibilidade no ataque.

A Alemanha tem profundidade suficiente para rodar jogadores e manter nível, o que em 104 jogos ao longo de 39 dias tem valor direto.

Nagelsmann qualificou o grupo como “acessível”, com ressalva para o Equador: “têm três ou quatro verdadeiras estrelas.” Moisés Caicedo e Willian Pacho chegam de um Chelsea campeão do mundo de clubes e de um PSG vencedor da Liga dos Campeões.

Principais jogadores

  • Florian Wirtz
  • Jamal Musiala
  • Manuel Neuer

Estrela em ascensão

  • Lennart Karl (Aos 18 anos, já é um jogador preponderante na rotação do Bayern Munich)
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Costa do Marfim

A Costa do Marfim chega ao Mundial depois de ganhar a Taça das Nações Africanas em 2023 e de fazer uma das qualificações mais sólidas do continente africano, dez jogos, oito vitórias, dois empates, zero derrotas, zero golos sofridos em casa.

A geração anterior, a dos Drogba e Yaya Touré, foi a que pôs o futebol marfinense no mapa, sendo que esta geração não tem o mesmo brilho individual, mas tem conjunto.

Sébastien Haller, quando está em forma, é um avançado de referência com qualidade para marcar em qualquer nível. Nicolas Pépé atravessou uma carreira irregular em clubes, mas pela seleção tem mostrado capacidade de decidir. O meio-campo é físico, disciplinado e difícil de passar.

O Grupo E é exigente para a Costa do Marfim, a Alemanha parte como clara favorita, mas o segundo lugar está aberto. Um encontro com o Equador na terceira jornada pode decidir quem avança.

Principais jogadores

  • Sébastien Haller
  • Simon Adingra
  • Franck Kessié

Estrela em ascensão

  • Lassine Sinayoko (Extremo de 23 anos no Stadé de Reims, com velocidade e capacidade de criar em situações de um contra um)

Equador

O Equador terminou a qualificação sul-americana em segundo lugar, atrás da Argentina, à frente do Uruguai e do Brasil em vários momentos da fase de apuramento.  Não chegam ao torneio como outsiders, chegam como uma seleção com duas das peças mais reconhecidas da Europa nos últimos anos.

Moisés Caicedo conquistou o Mundial de Clubes com o Chelsea e é um dos melhores médios defensivos do mundo, com 22 anos, e Willian Pacho venceu a Liga dos Campeões com o PSG na época passada.

Estes dois nomes dão ao Equador uma espinha dorsal que muitas seleções do torneio não têm, um problema crónico continua a ser o ataque: sem um avançado de referência consolidado, a equipa depende das chegadas do meio-campo para criar perigo.

Principais jogadores

  • Moises Caicedo
  • Willian Pacho
  • Enner Valencia

Estrela em ascensão

  • Kendry Páez (Médio do Chelsea com 18 anos, um dos jogadores mais jovem do torneio, com uma qualidade técnica que está muito acima da sua idade)

Curaçau

Dick Advocaat qualificou o Curaçau para o seu primeiro Mundial com uma campanha invicta na CONCACAF, o próprio técnico chamou o feito “a coisa mais louca que já consegui como treinador.” Com 160.000 habitantes, a ilha caribenha torna-se o menor território por população alguma vez presente num Campeonato do Mundo.

O plantel é composto maioritariamente por jogadores nascidos na Holanda, resultado da ligação histórica entre os dois países, no entanto, Juninho Bacuna e Leandro Bacuna têm experiência no futebol inglês e escocês.

A Curaçau não vai querer apenas participar e Advocaat é um treinador com historial de organização defensiva que nunca facilitou a equipas superiores.

Principais jogadores

  • Juninho Bacuna
  • Leandro Bacuna
  • Elson Hooi

Estrela em ascensão

  • Myron Boadu (Avançado do PSV com 25 anos, escolheu a camisola do Curaçau em vez da Holanda, e pode ser uma surpresa ofensiva do torneio)
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Grupo F

Países Baixos

Ronald Koeman tem à disposição um dos plantéis mais equilibrados da carreira.

Virgil van Dijk continua a ser o defesa-central de referência do futebol europeu aos 34 anos, Frenkie de Jong recuperou a forma depois de épocas difíceis no Barcelona e Cody Gakpo, após uma temporada sólida no Liverpool, chega como a referência ofensiva central.

Xavi Simons cresceu no PSG/Leipzig e Denzel Dumfries na lateral direita tem energia para 90 minutos em qualquer adversário.

O Grupo F é, no papel, dos mais equilibrados do torneio.

Os Países Baixos partem como favoritos, mas qualquer tropeço contra o Japão ou a Suécia muda as contas da passagem.

Principais jogadores

  • Virgil van Dijk
  • Frenkie de Jong
  • Cody Gakpo

Estrela em ascensão

  • Xavi Simons (Médio de 23 anos do Tottenham, tecnicamente dotado, com capacidade de surgir a decidir em momentos de máxima pressão)

Japão

O Japão não é surpresa há muito tempo. Em 2022 no Qatar, eliminou a Alemanha e a Espanha na fase de grupos antes de cair nos penáltis nos oitavos com a Croácia. A geração atual tem mais jogadores em clubes europeus de topo do que qualquer outra na história do futebol japonês.

Takefusa Kubo, do Real Sociedad, é o jogador mais criativo do conjunto, Kaoru Mitoma, do Brighton, tem a velocidade e a capacidade de driblar que tornam o Japão perigoso em transições. Wataru Endo chegou agora a Liverpool e Ritsu Doan venceu a Bundesliga com o Bayer Leverkusen.

A seleção tem profundidade, organização e um selecionador, Hajime Moriyasu, que sabe preparar jogos contra equipas individualmente superiores.

Principais jogadores

  • Takefusa Kubo
  • Kaoru Mitoma
  • Wataru Endo

Estrela em ascensão

  • Kento Shiogai (Na frente de ataque do Wolfsburg, o nipónico de 21 anos procura encontrar o seu lugar nesta seleção)
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Suécia

A Suécia regressa a um Mundial depois de falhar a qualificação para o Qatar, e fê-lo com Viktor Gyökeres como peça central de uma qualificação que passou por cima da Ucrânia e da Polónia.

O avançado do Sporting marcou três golos nas meias-finais do playoff europeu e chegou ao torneio depois de uma temporada histórica no clube lisboeta, com números de golo que poucos avançados europeus igualaram.

A questão para a Suécia não é o seu melhor jogador, é o que o rodeia. Sem Zlatan Ibrahimovic desde 2022, a seleção precisou de reconstruir a identidade e Alexander Isak, do Newcastle, dá alternativa no ataque com um perfil diferente de Gyökeres

A defesa é competente, mas não tem os nomes de referência dos adversários do grupo, o que poderá criar algumas dificuldades de balanceamento de jogo.

No Grupo F, a Suécia tem condições para chegar à terceira jornada com possibilidades reais de passagem.

Principais jogadores

  • Viktor Gyökeres
  • Alexander Isak
  • Dejan Kulusevski

Estrela em ascensão

  • Antonio Elanga (O sueco já conta com muita experiência, mas é importante recordar que tem apenas 22 anos e pode ser vital nesta seleção)

Tunísia

A Tunísia está no seu sexto Mundial consecutivo, uma regularidade que nenhum outro país africano consegue igualar. A seleção norte-africana chega com um perfil claro: organização defensiva, disciplina tática e capacidade de tornar os jogos feios para qualquer adversário de maior qualidade.

Montassar Talbi é a referência defensiva e Youssef Msakni, já com 34 anos, continua a ser o elemento mais criativo e o jogador com mais experiência de alto nível. Taibi Meherzi, do Estugarda, dá qualidade na construção com presença regular na Bundesliga.

O Grupo F é provavelmente demasiado forte para uma passagem confortável, mas contra a Suécia na terceira jornada, um resultado positivo pode abrir a porta aos oito melhores terceiros.

Principais jogadores

  • Youssef Msakni
  • Montassar Talbi
  • Ellyes Skhiri

Estrela em ascensão

  • Khalil Ayari (Apesar de ter 21 anos e ainda não ter entrado na equipa principal do PSG, o tunisino pode ser um jogador a ter em consideração na competição.

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