O Grupo G reúne a Bélgica numa segunda geração de ouro, com menos estrelas do que a anterior, mas também com menos pressão acumulada, ao lado do Egito, do Irão e da Nova Zelândia.
O Grupo H coloca a campeã europeia Espanha perante o Uruguai de Bielsa, a estreante Cabo Verde e uma Arábia Saudita que já provou que sabe produzir surpresas em Mundiais.
A Bélgica abre em Seattle a 15 de junho frente ao Egito; o Irão e a Nova Zelândia jogam no mesmo dia em Los Angeles.
Grupo G
Bélgica
A geração de Hazard, De Bruyne e Lukaku chegou ao terceiro lugar num Mundial, em 2018, e nunca foi além disso. Esta geração tem menos nomes de referência mundial, mas parte para o torneio com menos o peso de expectativas que durante anos paralisou a seleção.
Kevin De Bruyne continua na lista, com 35 anos, como o elemento mais criativo. A sua presença num Mundial, provavelmente o último, dá à Bélgica uma qualidade de passe e visão de jogo que a maioria dos adversários do Grupo G não tem.
Romelu Lukaku está na convocatória com um regresso à forma depois de épocas difíceis entre o Chelsea e o Inter, Amadou Onana, do Everton, tomou conta do meio-campo e é um dos médios mais promissores do torneio e Lois Openda, do Leipzig, dá velocidade e definição no ataque.
A Bélgica tem mais do que suficiente para liderar o Grupo G. O desafio é começar bem, e na geração anterior, um arranque nervoso em torneios grandes criou problemas que nunca chegaram a ser resolvidos.
Principais jogadores
- Kevin De Bruyne
- Romelu Lukaku
- Amadou Onana
Estrela em ascensão
- Matias Fernandez-Pardo (Uma das maiores controvérsias nas convocatórias do Mundial, Pardo, de 21 anos, é um dos alvos de Bayern Munich para a próxima temporada)

Egito
O Egito qualificou-se para o seu segundo Mundial em espaço de três edições, esteve ausente entre 1990 e 2018, e chega com Mohamed Salah numa fase de carreira que a maioria dos avançados da sua geração já não tem.
Quando Salah não está no seu melhor dia ou quando a equipa adversária o anula com sucesso, as alternativas ofensivas são limitadas. Trezequet e Omar Marmoush dão opções, mas o fosso de qualidade entre Salah e o resto do ataque é um risco real em jogos de eliminação.
No Grupo G, o Egito pode chegar à última jornada frente ao Irão com hipóteses de avançar para o mata-mata como segundo classificado ou como um dos melhores terceiros.
Principais jogadores
- Mohamed Salah
- Omar Marmoush
- Ahmed Hegazy
Estrela em ascensão
- Hamza Abdelkarim (De 19 anos e apenas a atuar nos juniores do Barcelona, foi a grande surpresa da convocatória)
Irão
O Irão chega ao seu quarto Mundial consecutivo sob o comando de Amir Ghalenoei, e traz uma equipa com a mesma identidade de sempre: organização defensiva, transições rápidas e um ou dois jogadores com qualidade individual para criar perigo.
Mehdi Taremi é o grande nome. O avançado da Inter de Milão tem a capacidade técnica e o sentido de posição para marcar em qualquer nível, foi o responsável pelos golos que mantiveram o Irão vivo na qualificação asiática e Alireza Jahanbakhsh continua como a referência criativa no meio.
A defesa é sólida e experiente, com vários jogadores com passado em ligas europeias. A surpresa do Irão foi sempre a capacidade de tornar jogos difíceis para adversários favoritos.
Principais jogadores
- Mehdi Taremi
- Alireza Jahanbakhsh
- Alireza Beyranvand
Estrela em ascensão
- Mehdi Ghayedi (Representa o Al Nasr e é um dos jogadores mais valorizados nesta equipa iraniana, no entanto, já tem 27 anos)
Nova Zelândia
A Nova Zelândia qualificou-se para o seu terceiro Mundial masculino através de uma vaga directa da OFC, pela primeira vez sem depender exclusivamente da repescagem intercontinental. Chris Wood continua a ser a referência central do ataque, com a experiência da Premier League a dar-lhe presença física num torneio de alto nível.
A seleção neozelandesa não tem o plantel para competir com a Bélgica ou o Egito, mas tem organização e jogadores capazes de tornar jogos mais disputados do que o ranking sugere.
O Grupo G é provavelmente demasiado exigente para uma passagem à fase seguinte, mas contra o Irão existe uma margem de incerteza que pode tornar a última jornada mais interessante do que parece.
Principais jogadores
- Chris Wood
- Clayton Lewis
- Joe Bell
Estrela em ascensão
- Liberato Cacace (Já com experiência na Europa, Cacace é agora um jogador importante no Wrexham e na sua caminhada para a Premier League)

Grupo H
Espanha
Luis de la Fuente chega ao Mundial como campeão europeu em 2024 e vice-campeão da Liga das Nações, perdida nas grandes penalidades frente a Portugal.
A seleção espanhola tem a mistura mais equilibrada do torneio entre juventude e experiência: Lamine Yamal com 18 anos, Pedri a estabilizar depois das lesões, Rodri de regresso após recuperação, Nico Williams e Fabián Ruiz no seu melhor nível.
O jogo da Espanha é o mais reconhecível do futebol europeu actual: posse com agressividade na pressão, circulação rápida e transições directas quando a bola é recuperada.
No Grupo H, a única ameaça séria é o Uruguai de Bielsa. Cabo Verde e a Arábia Saudita têm argumentos para pontuar, mas a Espanha tem qualidade para gerir um grupo desta exigência sem grandes sobressaltos.
Principais jogadores
- Lamine Yamal
- Pedri
- Rodri
Estrela em ascensão
- Victor Muñoz (Uma das grandes surpresas da convocatória, o avançado do Osasuna teve uma temporada de grande nível aos 22 anos)
Uruguai
Marcelo Bielsa está no Uruguai há dois anos e a sua marca é evidente: a seleção voltou a ser competitiva, organizada e difícil de defrontar.
Com Federico Valverde como motor do meio-campo, Darwin Núñez como referência no ataque e Manuel Ugarte como escudo defensivo, o Uruguai tem os ingredientes para incomodar qualquer adversário do grupo.
Ronald Araújo, quando está saudável, é um dos melhores defesas-centrais do torneio. Luis Suárez, o do Sporting, foi convocado e pode ser titular ou alternativa, dependendo da forma física.
A luta pela segunda posição no Grupo H vai decidir-se entre o Uruguai e quem pontuar melhor nos outros jogos.
Principais jogadores
- Federico Valverde
- Darwin Núñez
- Ronald Araújo
Estrela em ascensão
- Rodrigo Zalazar (Após duas grandes temporadas ao serviço do Braga, o médio ruma ao Benfica e aos 26 anos pode ser um dos grandes destaques)

Cabo Verde
Bubista classificou o Grupo H de “bastante difícil,” mas garantiu que os “Tubarões Azuis” chegam ao seu primeiro Mundial com confiança, não com medo. A qualificação africana confirmou isso: Cabo Verde liderou o Grupo D acima de Camarões e Angola, com sete vitórias e dois empates em dez jogos, sem sofrer qualquer golo em casa.
O plantel tem jogadores com presença no futebol europeu. Dailon Livramento, avançado cedido pelo Hellas Verona ao Casa Pia, é o nome ofensivo mais reconhecido. Logan Costa, defesa-central do Villarreal, chegou ao torneio a recuperar de lesão, a sua presença ou ausência muda consideravelmente a capacidade defensiva do conjunto.
Com 525.000 habitantes dispersos por dez ilhas, Cabo Verde torna-se um dos países mais pequenos alguma vez presentes num Mundial.
A estreia contra a Espanha vai ser o teste de fogo. O que vier a seguir, contra o Uruguai e a Arábia Saudita, vai revelar se esta equipa tem argumentos para algo mais do que a participação histórica.
Principais jogadores
- Dailon Livramento
- Garry Rodrigues
- Dylan Tavares
Estrela em ascensão
- Sidney Lopes Cabral (O extremo teve uma ascensão meteórica no último ano e deverá ser um dos jogadores em destaque)
Arábia Saudita
A Arábia Saudita ganhou à Argentina em 2022, um dos maiores resultados da história do futebol asiático, e embora não tenha saído da fase de grupos, a vitória ficou na memória de toda a gente que seguiu o torneio.
Em 2026, a seleção chega com um campeonato nacional que captou jogadores de alta qualidade internacional e com a ambição de repetir uma surpresa em palco grande.
Salem Al-Dawasari foi o autor do golo histórico frente à Argentina e continua a ser o jogador mais determinante da seleção. Mohammed Al-Owais é um guarda-redes fiável com experiência de Mundiais.
A seleção saudita tem organização tática e capacidade física para tornar jogos difíceis, contra Cabo Verde pode ser favorita, e contra o Uruguai vai ser o jogo mais aberto do grupo depois do confronto com a Espanha.
Principais jogadores
- Salem Al-Dawasari
- Mohammed Al-Owais
- Ali Al-Bulayhi
Estrela em ascensão
- Musab Al-Juwayr (Com 22 anos é o maior talento desta nova geração dos sauditas)