O Grupo I junta a França ao Senegal, ao Iraque e à Noruega, com Erling Haaland a disputar o seu primeiro Mundial, 28 anos depois da última presença norueguesa. O Grupo J coloca a Argentina campeã frente à Argélia, à Áustria e à estreante Jordânia, num grupo que parece favorável.
A França abre em Nova Iorque a 16 de junho contra o Senegal, o mesmo duelo que inaugurou o Mundial de 2002, quando os africanos eliminaram os campeões em título na fase de grupos.
Grupo I
França
Didier Deschamps deixou a seleção depois do Euro 2024 e o substituto assumiu um plantel que, no papel, é o mais profundo do torneio. A França tem qualidade em todas as posições, da baliza ao ataque, e Kylian Mbappé chega ao Mundial como o melhor jogador do momento no futebol europeu depois de uma temporada de adaptação ao Real Madrid que terminou com a Liga dos Campeões.
Eduardo Camavinga e Aurélien Tchouaméni dão qualidade e cobertura no meio, William Saliba é o defesa-central mais em forma do futebol europeu depois das últimas épocas no Arsenal. A profundidade do banco francês, jogadores como Antoine Griezmann, Olivier Giroud ou Ousmane Dembélé como alternativa, não tem paralelo no torneio.
O Grupo I é “aceitável” para a França, mas a Noruega tem Haaland e o Senegal tem jogadores com experiência de alto nível.
Principais jogadores
- Kylian Mbappé
- Marcus Thuram
- William Saliba
Estrela em ascensão
- Warren Zaïre-Emery (Médio de 20 anos do PSG, que já conta com duas Champions League no seu palmarés)

Noruega
A Noruega regressa a um Mundial 28 anos depois da sua última presença, em França 1998, e chega com a razão mais mediática possível: Erling Haaland vai disputar o seu primeiro Mundial com 25 anos, depois de quatro épocas no Manchester City onde conquistou praticamente tudo o que havia para conquistar em competições de clube.
O técnico Ståle Solbakken tem um plantel com outras peças competentes: Martin Ødegaard é o criativo de referência, Alexander Sørloth dá alternativa no ataque com físico e presença na área. A questão para a Noruega é o que acontece quando a equipa adversária anula Haaland, algo que Guardiola fez várias vezes no Manchester City com sucesso variável.
A luta pela segunda posição no Grupo I vai decidir-se provavelmente entre a Noruega e o Senegal.
Principais jogadores
- Erling Haaland
- Martin Ødegaard
- Alexander Sørloth
Estrela em ascensão
- Andreas Schjelderup (O extremo teve uma campanha sensacional no Benfica esta temporada e poderá ser um talento a ter em consideração)
Senegal
O Senegal chega ao seu terceiro Mundial consecutivo liderado por Sadio Mané, que em 2022 fez o torneio com uma lesão que o impediu de mostrar o seu verdadeiro nível. Em 2026, aos 34 anos, Mané joga no Al-Nassr e mantém a forma que sempre o caracterizou – velocidade, agressividade no um contra um e capacidade de decidir.
Aliou Cissé continua no banco com a mesma filosofia: defesa organizada, transições rápidas e apoio no momento em que Mané recebe com espaço. Nampalys Mendy e Idrissa Gana Gueye dão cobertura no meio. Ismaila Sarr dá alternativa ofensiva com velocidade na ala.
O Senegal tem qualidade suficiente para chegar à terceira jornada com hipóteses de passagem e um resultado positivo frente à Noruega na segunda jornada pode ser o ponto de viragem do grupo.
A geração que chegou às meias-finais da CAN e aos oitavos-de-final do Mundial de 2022 vai fazer a sua última aparição num torneio desta escala. É uma geração que nunca ganhou nada coletivamente e esse é o motor desta campanha.
Principais jogadores
- Sadio Mané
- Ismaila Sarr
- Édouard Mendy
Estrela em ascensão
- Ibrahima Mbaye (Aos 18 anos já conseguiu minutos importantes no PSG esta temporada, será interessante ver o seu papel nesta seleção)

Iraque
O Iraque regressa ao Mundial 40 anos depois da sua única participação, em 1986 no México. A qualificação passou pela repescagem intercontinental, onde eliminou os Emirados Árabes Unidos em dois jogos que ficaram definidos por um único golo.
O plantel tem jogadores com experiência no futebol árabe e asiático de alto nível. Ali Adnan tem passado em clubes europeus. Ahmed Yasin é a referência criativa. A seleção vai apostar numa organização defensiva sólida e em tentativas de explorar os erros dos adversários, a mesma estratégia que lhe permitiu chegar a este ponto.
Contra a França e contra a Noruega, o Iraque vai lutar para manter o marcador competitivo. Frente ao Senegal pode tentar algo mais ambicioso, esse jogo pode ser o único onde a qualidade dos dois conjuntos está suficientemente próxima para tornar o resultado imprevisível.
Principais jogadores
- Ali Adnan
- Ahmed Yasin
- Mohannad Abdul-Raheem
Estrela em ascensão
- Zidane Iqbal (O médio não é um nome desconhecido, atuando no meio-campo do Utrecht e com passagens pela formação do Manchester United)
Grupo J
Argentina
Lionel Scaloni mantém a base que ganhou o Mundial em 2022 e a Copa América em 2024. Lionel Messi vai ao seu sexto Mundial aos 39 anos, não como protagonista principal de cada jogo, mas como a presença que muda a forma como as equipas adversárias jogam.
Lautaro Martínez continua como avançado de referência, Julián Álvarez cresceu em autoridade desde o Qatar e Alexis Mac Allister com Enzo Fernández controlam o ritmo do meio.
A Argentina não vai ao Mundial para sobreviver, vai para defender o título.
Esse estatuto tem um peso diferente do ter apenas a pressão de vencer, sendo que Scaloni conhece a equipa ao detalhe e a maioria dos jogadores foi formada nos últimos quatro anos com este modelo de jogo.
Principais jogadores
- Lionel Messi
- Lautaro Martínez
- Alexis Mac Allister
Estrela em ascensão
- Nico Paz (21 anos de puro talento, fez com que o criativo tivesse uma excelente temporada ao serviço de Como e com Cesc Fàbregas como mentor)
Áustria
A Áustria é provavelmente a surpresa mais subvalorizada deste Mundial, já que a seleção terminou a qualificação europeia como uma das equipas mais consistentes do continente, com David Alaba, Marcel Sabitzer, Konrad Laimer e Christoph Baumgartner a formarem um meio-campo de qualidade real.
Ralf Rangnick, um dos treinadores mais influentes do futebol europeu na última década, deu identidade e coesão a uma seleção que há cinco anos não tinha presença relevante em torneios grandes.
A Áustria pressiona alto, recupera rápido e transita com velocidade, um modelo que causa problemas a equipas que gostam de construir desde a defesa.
Principais jogadores
- Marcel Sabitzer
- Konrad Laimer
- Christoph Baumgartner
Estrela em ascensão
- Carney Chukwuemeka (Só conta com 3 internacionalizações ao serviço da Áustria, mas pode ter minutos importantes nesta edição do Mundial)

Argélia
Vladimir Petkovic assumiu a Argélia depois de episódios turbulentos na federação, e a seleção chega ao seu quinto Mundial com Riyad Mahrez como figura de proa. O extremo saiu do Manchester City e do Al-Ahli, dois dos melhores clubes dos seus continentes, e chega ao torneio com 36 anos, numa fase final de carreira, mas ainda com a capacidade de desequilibrar em situações individuais.
A questão da Argélia é a mesma de sempre: quando Mahrez não está, quem cria? A dependência de um único jogador num torneio desta dimensão é um risco que os adversários do grupo vão explorar.
A segunda posição no Grupo J não é garantida, a Áustria tem mais coerência coletiva, mas a Argélia tem os jogadores para causar uma surpresa num único jogo.
Principais jogadores
- Riyad Mahrez
- Ismael Bennacer
- Rais M’Bolhi
Estrela em ascensão
- Ibrahim Maza (Apesar de nunca ter atuado na Argélia, o jogador do Bayer Leverkusen pode ser um dos grandes nomes nesta competição)
Jordânia
A Jordânia chega ao seu primeiro Mundial depois de uma das mais surpreendentes campanhas da qualificação asiática, incluindo a final da Copa da Ásia em 2023, onde perdeu com o Qatar.
Hussain Loulou e Musa Al-Taamari são os nomes mais conhecidos internacionalmente, com passado no futebol europeu.
A seleção não vai ao Grupo J para ganhar o grupo, vai para provar que a qualificação não foi acidente, sendo que contra a Argentina, o desafio defensivo vai ser enorme.
Principais jogadores
- Musa Al-Taamari
- Hussain Loulou
- Nizar Al-Rashdan
Estrela em ascensão
- Mohannad Abu Taha (Apesar de atuar no discreto Al-Quwa Al-Jawiya, é um jogador que poderá se destacar pela sua versatilidade)