O Grupo K coloca Portugal diante de três adversários de quatro confederações diferentes, Colômbia, Uzbequistão e RD Congo, num grupo sem historial direto entre nenhuma das quatro seleções.
O Grupo L é um dos mais exigentes do torneio: Inglaterra, Croácia, Gana e Panamá formam uma chave onde os primeiros dois jogos podem definir tudo.
Portugal abre em Houston a 17 de junho frente à RD Congo. A Colômbia e o Uzbequistão defrontam-se no mesmo dia na Cidade do México.
No “outro lado da barricada” a Inglaterra e a Croácia estreiam juntas em Dallas, o mesmo duelo que em 2018 enviou os ingleses para casa nas meias-finais.
Grupo K
Portugal
Roberto Martínez convocou 27 jogadores para o Mundial, incluindo Cristiano Ronaldo na sua sexta participação num torneio desta dimensão.
Entre as principais ausências estão António Silva, João Palhinha e Ricardo Horta, baixas que afetam a profundidade defensiva e a criatividade pelo lado direito.
O meio-campo é a força da seleção.
Vitinha e João Neves formam uma das duplas mais equilibradas do torneio, com qualidade técnica e capacidade de pressão que poucos conjuntos conseguem replicar. Bruno Fernandes dá a ligação entre o médio e o ataque. Bernardo Silva continua como o jogador mais completo do plantel.
Rafael Leão traz velocidade e imprevisibilidade quando está no seu melhor nível e Gonçalo Ramos pode ser uma referência no ataque.
A convocatória inclui ainda Diogo Jota como homenagem — um nome que marcou esta geração.
Principais jogadores
- Bernardo Silva
- Vitinha
- Rafael Leão
Estrela em ascensão
- João Neves (Após duas brilhantes, ainda podemos considerar João Neves uma estrela em ascensão? Ou a confirmação real de um dos melhores médios da atualidade?)

Colômbia
A Colômbia regressa a um Mundial oito anos depois do Brasil 2018 e fá-lo com dois jogadores que conhecem bem o futebol português – Luis Suárez foi campeão nacional pelo Sporting e Richard Ríos que chegou ao Benfica depois de uma primeira temporada que chamou a atenção de toda a Europa.
Néstor Lorenzo manteve a identidade que colocou a Colômbia em terceiro lugar nas eliminatórias sul-americanas, atrás da Argentina e do Brasil, à frente do Uruguai.
O ataque tem alternativas: Jhon Córdoba e Rafael Borré são referências físicas com experiência europeia, sendo que Lerma dá equilíbrio no meio.
A Colômbia joga verticalmente, com transições rápidas e capacidade de explorar os espaços nas costas da defesa adversária.
Principais jogadores
- Richard Ríos
- Luis Díaz
- Jhon Córdoba
Estrela em ascensão
- Luís Suárez (Sim, já tem 29 anos. Mas o avançado do Sporting teve a sua melhor temporada de sempre, sendo um grande destaque na Champions League)
Uzbequistão
Fabio Cannavaro assumiu o Uzbequistão em 2023 e conduziu-o à sua primeira fase final de um Mundial com uma qualificação asiática sólida.
O nome mais reconhecível do plantel é Abdukodir Khusanov, defesa-central do Manchester City, o jogador uzbeque com maior projeção no futebol europeu de momento. Eldor Shomurodov, que passou pela Roma e pelo Cagliari, é a referência ofensiva com mais experiência de alto nível.
Cannavaro trabalhou com uma geração que passou pelo torneio olímpico de Paris 2024 e tem uma identidade tática clara: compacta, organizada e difícil de destabilizar.
Principais jogadores
- Abdukodir Khusanov
- Eldor Shomurodov
- Otabek Shukurov
Estrela em ascensão
- Abbosbek Fayzullaev (Já a atuar numa equipa com experiência europeia, o avançado de 22 anos será essencial nas aspirações desta seleção)

RD Congo
A RD Congo regressa a um Mundial 52 anos depois da única participação, em 1974, quando a seleção jogava com o nome de Zaire. A qualificação passou por um playoff intercontinental ganho a Jamaica, com o golo decisivo de Axel Tuanzebe, actualmente no Burnley.
O plantel tem jogadores com passado em ligas europeias. Aaron Wan-Bissaka, lateral com carreira no Manchester United e no West Ham, está na convocatória. Cédric Bakambu e Yoane Wissa, avançado do Brentford, são as referências ofensivas. Chancel Mbemba, defesa-central formado no Porto, dá liderança e experiência na defesa.
Contra o Uzbequistão e a Colômbia, a RD Congo vai tentar disputar os pontos que podem abrir a porta aos oito melhores terceiros.
Principais jogadores
- Yoane Wissa
- Aaron Wan-Bissaka
- Chancel Mbemba
Estrela em ascensão
- Noah Sadiki (Jogador que representa o Sunderland e que aos 21 anos procura se mostrar nos grandes palcos mundiais)
Grupo L
Inglaterra
Thomas Tuchel chega ao seu primeiro torneio como selecionador da Inglaterra com um plantel que gerou polémica antes de a bola rolar. As ausências de Phil Foden, Cole Palmer, Trent Alexander-Arnold e Harry Maguire foram as mais comentadas, jogadores habituais nas convocatórias anteriores que ficaram fora por escolha do técnico alemão.
Jude Bellingham mantém o lugar de referência criativa. Harry Kane é o avançado com mais golos da história da seleção inglesa e chega ao torneio depois de uma época de adaptação ao Bayern de Munique. Bukayo Saka e Declan Rice completam o núcleo central. A Inglaterra tem qualidade para vencer o grupo com relativa tranquilidade — o problema desta geração nunca foi a fase de grupos.
A pressão sobre Tuchel é considerável. A seleção chegou a duas finais do Euro consecutivas, em 2021 e 2024, e às meias-finais do Mundial de 2018. Esta geração tem de ir mais longe — ou o torneio vai ser mais uma oportunidade desperdiçada.
Principais jogadores
- Jude Bellingham
- Harry Kane
- Bukayo Saka
Estrela em ascensão
- Anthony Gordon (É certo que já era uma das estrelas da Premier League ao serviço do Newcastle, mas o salto para o Barcelona trá-lo ainda mais para o estrelato)

Croácia
Zlatko Dalić vai ao seu terceiro Mundial consecutivo com a Croácia e, quase de certeza, ao último de Luka Modrić, que completa 41 anos durante o torneio. O capitão croata estará em campo na estreia frente à Inglaterra em Dallas, num reencontro que tem um peso particular: em 2018, foi a Croácia que eliminou os ingleses nas meias-finais.
Joško Gvardiol, do Manchester City, é o defesa-central mais valioso do plantel e um dos mais completos do torneio, Mateo Kovačić dá qualidade no meio depois de épocas sólidas no Chelsea e no Manchester City e Petar Musa, que passou pelo Benfica e pelo Boavista, está na convocatória como referência ofensiva.
Esta Croácia já não tem o mesmo plantel de 2018, quando chegou à final, mas tem experiência de torneios grandes que Gana e Panamá não têm, e isso pesa nos jogos de eliminação.
Principais jogadores
- Luka Modrić
- Joško Gvardiol
- Mateo Kovačić
Estrela em ascensão
- Luka Vuskovic (19 anos e 1.93m, o defesa do Tottenham não passou despercebido no seu empréstimo desta temporada ao Hamburgo)
Gana
O Gana esteve ausente do Mundial de 2022, falhou a qualificação numa das eliminatórias africanas mais disputadas, e regressa com uma mistura de jogadores da diáspora com passado em ligas europeias e atletas formados localmente.
Mohammed Kudus, do West Ham, é o nome mais reconhecível e o mais perigoso em situações individuais. Iñaki Williams escolheu a camisola ganesa em vez da espanhola e chega ao torneio como alternativa no ataque com capacidade física invulgar. Thomas Partey, quando está fisicamente apto, é um dos melhores médios defensivos do continente africano.
No Grupo L, o Gana não tem condições de liderar, mas pode pontuar contra o Panamá e complicar a vida à Croácia num dia menos inspirado dos adversários. Com os oito melhores terceiros a avançar, uma boa gestão de saldo de golos pode ser suficiente para o mata-mata.
Principais jogadores
- Mohammed Kudus
- Iñaki Williams
- Thomas Partey
Estrela em ascensão
- Antoine Semenyo (Apesar de ser um grande destaque do Bournemouth, a sua chegada ao Manchester City irá potencializá-lo também nesta seleção)

Panamá
O Panamá está no seu terceiro Mundial depois de 2018 e 2022 e chega como o adversário menos cotado do Grupo L.
Thomas Christiansen, selecionador dinamarquês, trabalhou com o conjunto centro-americano na qualificação da CONCACAF e conseguiu o apuramento com solidez defensiva e eficácia nas bolas paradas.
Rolando Blackburn é a referência ofensiva com mais experiência europeia, Adalberto Carrasquilla dá criatividade no meio.
A seleção panamenha vai ao Grupo L com uma identidade clara: organização, trabalho e capacidade de explorar qualquer descuido dos adversários em situações de bola parada.
Principais jogadores
- Rolando Blackburn
- Adalberto Carrasquilla
- Edgardo Fariña
Estrela em ascensão
- José Córdoba (O defesa do Norwich City tem aqui uma excelente oportunidade de continuar a demonstrar-se num grande palco mundial)