Com as meias-finais da Taça de Portugal muito perto de serem jogadas à data de lançamento deste artigo, é impossível não elogiar a caminhada que o Tirsense está a fazer nesta competição, sendo um dos quatro clubes à procura do título.
Atualmente a disputar a Liga 3, o FC Tirsense é uma das histórias mais bonitas nesta edição da competição, no entanto, existem outros clubes que criaram páginas fantásticas no livro que é o futebol nacional.
Neste artigo iremos recordar algumas dessas caminhadas, com especial destaque para as equipas provenientes de escalões inferiores e que conseguiram surpreender os grandes clubes nacionais com o seu espírito de sacrifício em toda a história.
Um desses emblemas conseguiu mesmo levantar o título nesta competição, por isso, não deixe de nos acompanhar nestas recordações de um dos troféus mais adorados do futebol em Portugal.
Leixões (2001–02) – Finalista da 2ª Divisão B
Proveniente do terceiro escalão do futebol português, o Leixões protagonizou a caminhada mais surpreendente da história da Taça de Portugal, tendo chegado à final desta emblemática competição.
A sua caminhada épica conta com duas eliminações fantásticas ao conseguir derrubar dois clubes do primeiro escalão como o Sporting de Braga e Paços de Ferreira, equipas vastamente superiores em termos salariais e de talento.
No final desta competição, os leixonenses perderiam frente ao favoritíssimo Sporting apenas pela margem mínima, tendo garantido a qualificação para as competições europeias do ano seguinte.

Tirsense (1948–49) – Finalista da 2ª Divisão
Muito raramente vemos uma equipa de escalões inferiores que consiga chegar tão longe na história, no entanto, o Tirsense conseguiu entrar no jogo decisivo pelo título, estando nessa época a disputar o segundo escalão do futebol nacional.
Ainda nos primórdios do futebol profissional em Portugal, o Tirsense conseguiu eliminações surpreendentes frente ao Académico do Porto e ao Atlético CP, duas equipas que partiam com enorme favoritismo na eliminatória.
Apesar da brilhante caminhada, o jogo do título seria de memórias menos positivas, já que a equipa de Santo Tirso viria a perder por 5-0 frente ao Benfica, não conseguindo assim o tão ambicionado troféu.
Torreense (1955–56) – Finalista improvável
A história trouxe-nos inúmeros clubes com caminhadas fantásticas, sendo que o Torreense de 1995/1996 pode muito bem se orgulhar da sua prestação nessa temporada, tendo eliminado vários emblemas favoritos “no papel”.
No entanto, a final não seria tarefa fácil, sendo que a equipa de Torres Vedras defrontou o Porto no jogo decisivo, tendo perdido por 2-0, um resultado respeitável e que demonstra que a sua jornada não foi mero acaso.
Os torreenses nunca experienciariam glória em outras competições, podendo este ser mesmo considerado o ponto mais alto da sua história.
União de Leiria (1994–95) – Finalista vindo da 2ª Divisão
A União de Leiria é um dos clubes com maior história nas últimas décadas do futebol nacional, tentando voltar à companhia dos grandes clubes na Liga Portugal o mais rápido possível, por meio de um projeto sólido.
No entanto, na sua história, uma caminhada fantástica acaba por ficar marcada, já que os leirienses chegaram à final desta competição proveniente do segundo escalão do futebol nacional, derrubando clubes superiores pelo caminho.
Os leirienses perderiam na final frente aos leões do Sporting, num jogo do título que terminou com resultado de 2-0 a favor dos crónicos favoritos à vitória.
Desportivo das Aves (2017–18) – Campeão inesperado
O percurso do agora AVS não foi tão fantástico como algumas das histórias que já mostramos neste artigo, tendo eliminado equipas como o Caldas da Rainha e Rio Ave pelo caminho.
Contudo, o pequeno clube da Vila da Aves é um dos poucos que conseguiu mesmo levantar um título nesta competição, tendo batido na final o Sporting por 2-1 e assim garantindo um troféu histórico para a pequena vila do Norte do país.
Com jogadores como o ex-internacional Quim na baliza, o Aves contava com um plantel muito experiente, mas, ao mesmo tempo, com muitos jogadores em declínio, que acabaram por fazer das “tripas coração” e conseguir uma vitória monumental.

Académico de Viseu (1988–89) – Meia-finalista da 2ª Divisão
O Académico de Viseu foi mais uma das equipas provenientes do segundo escalão do futebol nacional que surpreendeu tudo e todos com uma campanha épica, tendo sido apenas “parados” pelo Belenenses na final.
Apesar da ressurgência recente do clube do interior do país, este é um dos momentos mais emblemáticos da sua história, sendo que a chegada ao jogo do título ficou apenas por “pormenores”.
Com uma história recheada de belos momentos, o Académico de Viseu poderá orgulhar-se do que faz para o futebol nacional, apesar do curto palmarés com que conta no seu museu de troféus.
Conclusão
A “festa da Taça” é um dos momentos mais bonitos do futebol nacional, juntando equipas de todas as localidades do país e oferecendo um momento de esperança mesmo aos clubes “teoricamente mais pequenos”.
Aqueles que são considerados “tomba gigantes” são histórias de sucesso que irão ser aclamadas durante muitos anos, mas, sobretudo, serão sempre um elo entre estes clubes e a sua comunidade.
As mais bonitas histórias do futebol nacional nem sempre partem dos grandes palcos e é isso que torna a Taça de Portugal tão bonita, mesmo para aqueles que não são adeptos frenéticos deste desporto.