No futebol português, os grandes protagonistas costumam vestir as camisolas de Benfica, FC Porto e Sporting. Porém, a história da Primeira Liga guarda capítulos extraordinários escritos por avançados que se afirmaram longe dos holofotes principais. 4
São jogadores que desafiaram probabilidades, superaram limitações orçamentais e mostraram que marcar golos não é monopólio dos “Três Grandes”.
Nesta lista lembramos dez goleadores que deixaram marca profunda no futebol nacional, representando clubes históricos e regionais. São figuras que, pelo mérito e pela eficácia, conquistaram lugar eterno na memória de quem aprecia verdadeiramente o jogo — onde a bola, e não o emblema, dita quem merece louros.
1. Matateu – Belenenses
Matateu é um nome lendário da história do Belenenses e do futebol português. Chegado de Moçambique, tornou-se rapidamente uma das maiores figuras da Liga nos anos 1950, com capacidade física, potência no remate e inteligência rara dentro da área.
Marcou mais de 200 golos pelo clube do Restelo, sendo por duas vezes o melhor marcador do campeonato. Mesmo sem vestir qualquer uma das camisolas dos grandes centros de poder, conquistou admiração nacional e internacional.
O avançado provou que talento e carisma podem elevar um clube e, ainda hoje, é símbolo eterno de dedicação e classe no futebol português.
2. Albert Meyong – Vitória de Setúbal / Belenenses
Albert Meyong representa uma das histórias modernas mais emblemáticas de goleadores fora dos colossos nacionais. O avançado camaronês chegou a Portugal e destacou-se desde cedo pela capacidade de finalizar com frieza e oportunismo.
O auge chegou na época 2005/06, quando foi o melhor marcador da Primeira Liga ao serviço do Belenenses, feito raríssimo no futebol contemporâneo dominado pelos “Três Grandes”. Meyong juntava força física, trabalho tático e rara regularidade.
Anos depois, voltou a brilhar no Vitória de Setúbal, consolidando o estatuto de referência para quem acredita que o mérito pode vir de qualquer emblema — não apenas dos gigantes.

3. Rafael Correia – Belenenses
Rafael Correia foi uma figura determinante do Belenenses nas décadas de 1930 e 1940, destacando-se como um dos mais eficazes avançados do seu tempo.
Marcou 160 golos pela equipa lisboeta na Primeira Liga, contribuindo para a afirmação do clube como potência competitiva numa era em que o futebol português ainda se consolidava.
Correia era conhecido pela inteligência nos movimentos e pela capacidade de decidir jogos com simplicidade e precisão. Mesmo sem a cobertura mediática que existe hoje, o seu legado é sólido e merece reconhecimento pela consistência e importância no panorama histórico do futebol nacional.
4. Edmur Ribeiro – Vitória SC
Edmur Ribeiro entrou para o lote restrito de avançados que conseguiram conquistar o prémio de melhor marcador da Liga sem representar nenhum dos Três Grandes. Ao serviço do Vitória de Guimarães, na época 1959/60, apontou 25 golos, impondo-se num campeonato competitivo e exigente.
Falamos de um jogador excecional, que era um avançado completo: rápido, móvel e com grande sentido de oportunidade. A sua eficácia ajudou a colocar o Vitória SC num patamar de destaque e a provar que o clube minhoto sempre teve tradição de atacar bem.
A memória de Edmur está eternamente associada ao orgulho vimaranense e ao poder do mérito próprio.
5. Arsénio Duarte – CUF Barreiro
Arsénio Duarte é um dos maiores exemplos de goleador fora das grandes luzes da capital e do Porto. Atuando na CUF do Barreiro, destacou-se nos anos 1950 como avançado implacável, capaz de marcar em diferentes contextos e contra qualquer adversário.
Atingiu números excepcionais, conquistando a Bola de Prata e mostrando que o talento industrial — como se dizia carinhosamente no Barreiro — podia ser tão brilhante como o dos palcos mais mediáticos.
Arsénio é símbolo de uma época romântica do futebol português, quando clubes de várias regiões rivalizavam em igualdade técnica e competitiva.
6. Paulinho Cascavel – Vitória SC
Paulinho Cascavel tornou-se um nome icónico do Vitória SC nos anos 1980, sendo uma referência ofensiva pela qualidade técnica, leitura de jogo e eficácia diante da baliza.
Embora tenha posteriormente representado o Sporting, foi no clube de Guimarães que alcançou o estatuto que o projectou para o estrelato, incluindo o título de melhor marcador da Liga.
A sua capacidade de decisão e o estilo elegante com que jogava fizeram dele um dos avançados mais admirados da época, prova de que o Vitória sempre foi casa de grandes talentos capazes de competir com os maiores.

7. Gaúcho – Campomaiorense / Braga
Gaúcho fez carreira marcante no futebol português, sobretudo em clubes como o SC Braga e o Campomaiorense, onde demonstrou qualidade de finalização e personalidade competitiva. Embora nunca tenha vestido a camisola de um dos Três Grandes, acumulou golos e respeito no campeonato.
Forte fisicamente e eficaz no jogo aéreo, era um avançado completo, capaz de decidir jogos com um único toque. A sua figura permanece ligada a equipas batalhadoras que surpreendiam adversários teoricamente mais fortes.
Gaúcho representa o espírito ambicioso e resiliente dos goleadores dos “outros” clubes — competitivos e sempre prontos para desafiar expectativas.
8. Manuel António – Académica / Varzim
Manuel António tornou-se um dos goleadores de referência do futebol português, com passagens destacadas pela Académica e pelo Varzim. Conhecido pela inteligência posicional e pela frieza perante o guardião, somou mais de cem golos na Primeira Liga.
Destacava-se pela simplicidade de processos e pela constância, características que o tornaram indispensável nas equipas por onde passou.
Manuel António é exemplo de como o futebol académico e de tradição regional produziu talentos que rivalizaram com os nomes maiores do país, consolidando-se como uma figura que honrou os clubes que representou e os valores do jogo coletivo.
9. Tito – Vitória SC / União de Tomar
Tito fez parte da geração de avançados que brilharam em clubes históricos portugueses sem depender do peso mediático dos gigantes nacionais.
Com mais de cem golos na Primeira Liga, destacou-se sobretudo no Vitória SC e no União de Tomar, onde era reconhecido pela capacidade de finalizar com regularidade e pela mobilidade que confundia defesas.
A sua carreira demonstra que dedicação e talento podem construir um legado sólido, mesmo em clubes com menos recursos. Até hoje é lembrado pelos adeptos como símbolo de eficácia e humildade, representando o orgulho do futebol regional português.
10. Jimmy Floyd Hasselbaink – Boavista
Antes de se tornar figura internacional e atuar em clubes como Chelsea e Atlético de Madrid, Jimmy Floyd Hasselbaink deixou marca na Primeira Liga ao serviço do Boavista.
Na época 1996/97 foi o melhor marcador do campeonato, impondo-se pelo poder físico, velocidade e facilidade de remate. O holandês mostrou qualidade extraordinária numa equipa competitiva que desafiava o domínio dos grandes.
A passagem curta, mas impactante, simboliza como talento estrangeiro também encontrou no futebol português um palco para brilhar fora dos centros tradicionais, reforçando o peso histórico do Boavista no panorama nacional.



