O Mundial 2026 é diferente de tudo o que já vimos, sendo que, pela primeira vez na história, 48 seleções disputaram o torneio, divididas em 12 grupos, com uma ronda de 16 avos-de-final completamente inédita antes dos oitavos.
O resultado? Mais futebol, mais golos, mais surpresas e números que vão ficar registados durante décadas.
Com os quartos de final já definidos, em que podemos encontrar França, Marrocos, Espanha, Bélgica, Noruega, Inglaterra, Argentina e Suíça, este é o momento certo para fazer um balanço estatístico do que este torneio já produziu.
Os números contam uma história que vale a pena ler.
280 Golos em 96 Jogos: O torneio mais prolífico em décadas
O dado mais imediato é o que mais impressiona: 280 golos marcados em 96 jogos, o que representa uma média de 2,92 golos por partida. Para ter uma ideia do que isso significa historicamente, desde 1958 (a edição da Suécia com média de 3,6) não havia um Mundial tão rico em golos.
A edição do Qatar 2022 terminou com média de 2,69 e este torneio está claramente acima da tendência recente.
Só na fase de grupos, 215 golos foram marcados em 72 jogos, com média de 2,99 (quase três golos por jogo), isto demonstra que o futebol ofensivo não é apenas um estilo de algumas seleções neste Mundial, mas sim o denominador comum do torneio inteiro.
A maior goleada registada até ao momento foi a vitória da Alemanha sobre Curaçao por 7-1, paradoxalmente, a mesma seleção que acabaria eliminada pelo Paraguai nos penáltis nos 16 avos-de-final.
O jogo entre Alemanha e Curaçao foi também o de maior volume ofensivo de todo o torneio, com 8 golos em 90 minutos.

Messi a reescrever a História, mais uma vez
Lionel Messi entrou neste Mundial com 39 anos e saiu da fase de grupos como o seu melhor marcador individual, com 6 golos em três jogos.
A essa altura, já tinha superado Miroslav Klose como o maior goleador de sempre na história dos Campeonatos do Mundo, sendo que o registo do alemão era de 16 golos desde 2014, e Messi ultrapassou-o primeiro com 17, chegando a 18 ainda na fase de grupos.
Superou também Just Fontaine e Jairzinho ao marcar em sete jogos consecutivos, um feito sem precedentes nos 96 anos da competição.
No total, até aos Quartos de Final, Messi acumula 21 golos na carreira em Mundiais e continua como o artilheiro do torneio nesta edição com 8 tentos. (Para comparação, o melhor marcador de toda a edição do Qatar 2022 foi Mbappé, com 8 golos em 7 jogos).
A corrida à Bota de Ouro tem outros candidatos de peso com Kylian Mbappé, Erling Haaland, Ousmane Dembélé e Harry Kane.
Mbappé chegou ao 7.º golo nos Oitavos, ao converter o penálti que eliminou o Paraguai, números que não se viam desde o Brasil de 1970.
As defesas que ninguém esperava
Mas nem tudo é ataque e existem duas seleções que completaram a fase de grupos sem sofrer um único golo: a Espanha e o México.
A seleção espanhola fez isso com autoridade, incluindo uma goleada à Arábia Saudita e uma vitória sobre o Uruguai, enquanto o México ganhou os três jogos do Grupo A, marcou seis golos e não sofreu nenhum, terminando em primeiro lugar com nove pontos.
Do lado oposto, o Panamá foi a única seleção que saiu do torneio sem marcar um único golo, com três jogos, três derrotas, zero golos.
Outro número defensivo digno de registo pertence a Eloy Room, guarda-redes de Curaçao, que foi o herói improvável do torneio na fase de grupos. No empate sem golos contra o Equador, realizou 16 defesas em 90 minutos, o melhor registo de sempre num jogo de Mundial em tempo regulamentar, igualando Tim Howard, que havia feito o mesmo número, mas em prolongamento, em 2014.
Curaçao, estreante e um dos países mais pequenos já presentes numa fase final, ficou na história por razões que ninguém antecipava.

Europa domina, África confirma crescimento
Com seis das oito seleções dos Quartos de Final provenientes da Europa (França, Espanha, Bélgica, Noruega, Inglaterra e Suíça), o futebol europeu afirma-se como o mais competitivo do planeta neste momento, mas a história que ninguém pode ignorar é a de Marrocos.
Pela segunda edição consecutiva, a seleção africana chegou aos Quartos de Final, sendo que em 2022, chegou às meias-finais e eliminou Portugal pelo caminho.
A Argentina de Messi é a única representante sul-americana, já que o Brasil foi eliminado pela Noruega por 2-0 nos oitavos (com dois golos de Haaland) e foi uma das grandes surpresas da competição.
O mesmo aconteceu com Portugal, eliminado pela Espanha por 1-0 num golo de Mikel Merino aos 91 minutos, num adeus de Cristiano Ronaldo aos Mundiais.
A Premier League lidera fora dos relvados
Um dado que passa mais despercebido, mas que revela muito sobre o estado do futebol mundial: os jogadores da Premier League marcaram 46 golos neste Mundial, de dez clubes diferentes (valor mais alto de qualquer liga).
A Liga Espanhola ocupa o segundo lugar com 26, seguida da Bundesliga com 18, enquanto a Ligue 1 francesa soma 16 e a Serie A italiana 14.
O Real Madrid lidera entre os clubes com mais golos marcados pelos seus representantes com 11, fruto dos contributos de Mbappé, Vinícius Júnior, Jude Bellingham e Arda Güler. O PSG, atual bicampeão da Champions League, segue em segundo com 10.
O Mundial dos penáltis falhados
Existem outros números que ficam expostos nos anais da história, já que este é o Mundial com o pior aproveitamento de penáltis desde 1966.
Em 49 cobranças realizadas (entre as marcadas em jogo e as disputas por grandes penalidades), apenas 32 foram convertidas, o que equivale a uma taxa de aproveitamento de 65,3%, a mais baixa em 60 anos de Campeonatos do Mundo.
O festival de falhanços teve o seu dia mais intenso nos 16 avos-de-final, quando num único dia se registaram dez penáltis falhados (um recorde absoluto numa só jornada na história do torneio).
No confronto entre Alemanha e Paraguai, cinco remates da marca dos onze metros foram desperdiçados apenas no desempate: Havertz, Woltemade e Tah, pelo lado alemão, Sanabria e Balbuena, pelo Paraguai. Curiosamente, ao mesmo tempo, Marrocos e Países Baixos protagonizavam outra série de falhanços na sua eliminatória.
Nem os maiores escaparam.
Lionel Messi (o maior goleador de sempre em Mundiais) leva dois penáltis falhados nesta edição, um contra a Áustria na fase de grupos, outro frente ao Egito nos Oitavos, e com quatro falhanços no total ao longo da carreira em Mundiais, é o jogador que mais vezes desperdiçou uma grande penalidade na história da competição.
Um paradoxo que resume bem este torneio: cheio de golos, cheio de recordes, e cheio de momentos em que até os melhores do mundo ficaram aquém da marca dos onze metros.