Portugal no Mundial 2026 – Desilusão ou falta de ambição?

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Portugal não teve a mesma sorte da última final da Liga das Nações e viu-se eliminado pela congénere espanhola nos oitavos de final deste Campeonato do Mundo 2026, disputado simultaneamente nos Estados Unidos da América, Canadá e México.

Os comandados de Roberto Martínez, considerados uma das equipas com melhores possibilidades de chegar longe nesta competição, não conseguiram suplantar o poderio da Espanha no meio-campo e sofreram uma derrota por 0-1.

Para a história fica uma eliminação “precoce” e, para este grupo de trabalho, a impossibilidade de homenagear com um título Diogo Jota e o seu irmão, que era uma das grandes motivações à entrada para este torneio.

Desde a intranquilidade com bola até erros de posicionamento, existem muitas questões que foram deixadas ao longo de toda a competição e, neste artigo, faremos um resumo sobre a presença da Seleção das Quinas.

Os altos e baixos da fase de grupos

Portugal entrava para esta competição com ambições elevadas, sobretudo por marcar presença num Grupo K onde eram considerados os favoritos a avançar no primeiro posto, apesar de contarem com adversários como Colômbia, Uzbequistão e RD Congo.

O jogo de abertura é sempre um jogo de “nervos” para qualquer seleção, mas o empate frente à RD Congo por 1-1 seria a imagem mais real do que este conjunto iria produzir durante grande parte dos restantes jogos, com momentos positivos (a espaços), mas muita insegurança em todas as ações.

Apesar do novo formato competitivo garantir a possibilidade de alguns dos melhores terceiros classificados de cada grupo avançarem, uma vitória no jogo seguinte era o mínimo que se pedia aos portugueses, tendo pela frente o Uzbequistão.

Numa exibição pautada pela “alegria” dentro do campo e onde Cristiano Ronaldo esteve em destaque com os golos apontados, Portugal bateu os estreantes nesta competição por 5-0 e garantiu praticamente o lugar na fase a eliminar deste Mundial 2026.

No entanto, com o primeiro lugar como objetivo e, possivelmente, um lado “mais fácil” na fase a eliminar, Portugal entrava em campo frente à Colômbia à procura dos três pontos e com ligeiras alterações no XI base utilizado por Roberto Martínez.

A partida frente à Colômbia terminaria sem golos, num jogo em que, apesar de se ter partido em determinadas ocasiões, ambas as equipas não criaram grandes lances de perigo, salvas raras exceções.

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Um velho rival pela frente nos “novos” 16 avos de final

Na edição com mais nações a disputarem o título de campeão do mundo, este torneio também trouxe consigo mais um jogo do que o normal, com a existência dos 16 avos de final neste novo formato.

Nesta fase da competição, Portugal teria pela frente a Croácia, um adversário velho conhecido de outras andanças, sendo que é importante recordar que se defrontaram na última edição das Nações, mas, sobretudo, nos oitavos de final do Euro 2016.

Nas 10 partidas anteriores entre estas equipas, Portugal perdeu apenas em uma ocasião, mas o historial pouco conta nestas fases competitivas, sobretudo quando pela frente existe um peso emocional enorme, tanto para Cristiano Ronaldo como para Luka Modric.

Perante dois dos melhores jogadores de sempre do futebol mundial, este encontro seria certamente o “ponto final” numa carreira internacional recheada de sucessos, onde ambos os atletas catapultaram as suas seleções para voos mais altos.

Numa das melhores partidas do Mundial 2026 até à altura, a maior competência nos momentos cruciais por parte de Portugal acabou por ser suficiente, em que Gonçalo Ramos foi o grande herói com um golo já depois dos 90 minutos jogados.

Apesar da vitória, muitas questões continuavam a pairar sobre Roberto Martínez e as suas opções, sobretudo quando pela frente teriam um adversário “à procura de sangue”, na seleção espanhola.

A Espanha como definição do “futuro”

Com poucos dias entre a vitória frente à Croácia e o embate dos Oitavos de Final do Campeonato do Mundo frente à Espanha, os portugueses continuaram a realizar a sua preparação, mas (novamente) com um “plano de fundo”.

Cristiano Ronaldo e a possibilidade de este ser o seu último jogo na seleção nacional acabaram por tomar os holofotes de todas as conversas, sendo mesmo o capitão português a dar a cara na última conferência de imprensa antes do jogo.

A presença de CR7 nas escolhas iniciais nunca foi uma dúvida para o Roberto Martínez, no entanto, a falta de minutos de Gonçalo Ramos na frente de ataque (nem que fosse para gestão física do avançado de 41 anos), acabou por ser uma das questões mais realçadas ao longo de toda a competição.

O encontro frente à Espanha previa um equilíbrio enorme entre duas seleções que se conheciam muito bem, mas, sobretudo, uma verdadeira batalha no meio-campo, onde estávamos perante alguns dos melhores executantes de atualidade.

Portugal nunca conseguiu impor o seu jogo ao longo do tempo regulamentar, no entanto, em bom tom da verdade, a Espanha também só o conseguiu fazer a curtos espaços, mas que viria a ser decisivo no resultado.

De la Fuente, o selecionador espanhol, iria tirar um “coelho da cartola” com a entrada de Mikel Merino aos 85 minutos, sendo que o jogador do Arsenal apontaria o único golo da partida para a Espanha seguir em frente.

O resultado de 0-1 demonstra o equilíbrio que existiu durante toda a partida, no entanto, a consistência espanhola acabou por defraudar as expetativas dos portugueses para este encontro.

Após o final da partida, e da consequente eliminação de Portugal, Roberto Martinez comunicou publicamente a sua saída como selecionador nacional e assim, um fim de um ciclo para este grupo de trabalho.

Razões para o afastamento precoce

Nos três anos e meio de Roberto Martínez à frente da seleção portuguesa, o técnico espanhol foi sempre questionado sobre a gestão de Cristiano Ronaldo e sobre a pressão inerente que existiu.

Muitos acreditam que o astro português não merecia tantas oportunidades (ou pelo menos tantos minutos) numa seleção portuguesa que parecia “demasiado centrada” no jogador, contudo, Martínez manteve o seu contexto e ideia inabaláveis.

Ao longo de toda a competição, Portugal nunca demonstrou a “dimensão competitiva” de outros candidatos ao título, com uma equipa demasiado na expetativa e sem ser o conjunto dominante que quase todos esperavam.

Outras questões também se abriram relativamente ao meio-campo, já que a combinação de Vitinha – João Neves – Bruno Fernandes nunca pareceu surtir o efeito desejado, tendo em conta que estamos perante três dos melhores jogadores do mundo da atualidade nas suas posições.

A defesa, que provavelmente era o departamento onde existiam mais dúvidas, acabou por provar que existem soluções de qualidade e que jogadores como Renato Veiga são de calibre internacional para uma seleção deste nível.

Por último, e não menos importante, existiu sempre muita incerteza sobre a certeza da Federação Portuguesa de Futebol de que Roberto Martínez era a pessoa ideal para esse cargo.

Esse clima de “instabilidade” nunca é bom para um grupo de trabalho, sobretudo quando as decisões tomadas são cruciais e podem fazer a diferença numa fase a eliminar de uma competição.

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O futuro da seleção portuguesa

Roberto Martínez deixa a seleção com um saldo de 30 vitórias e apenas 6 derrotas, mas, sobretudo, com um título internacional, isto após ter conquistado a Liga das Nações, precisamente frente à Espanha.

Com a saída do técnico espanhol abre-se espaço para um novo timoneiro para a Seleção Portuguesa, mas, sobretudo, um lugar de enorme pressão com vista ao Mundial 2030, em que Portugal será um dos coanfitriões.

Dos jogadores presentes nesta última convocatória do Campeonato do Mundo 2026, existem alguns nomes que podem abandonar a carreira internacional, mas nenhum deles será tão grande como Cristiano Ronaldo.

Aos 41 anos, esta foi certamente a “última dança” de CR7, o melhor marcador pela seleção portuguesa de sempre e, sem dúvida alguma, o melhor jogador da história que Portugal conseguiu produzir.

Nomes como Bruno Fernandes ou Bernardo Silva poderão não estar presentes em 2030, no entanto, a maioria dos jogadores deste plantel deverão ser escolha para as próximas janelas internacionais do novo selecionador.

O futuro da seleção portuguesa continua a ser brilhante e é importante realçar que a “desilusão” sofrida neste Mundial 2026 é frente a um dos grandes candidatos ao título e a campeã europeia em título.

Portugal tem de sair do “impasse da humildade”, começando por colocar em cima da mesa que é uma das melhores nações do mundo na modalidade e, sobretudo, demonstrá-lo em campo sem existir condicionamentos.

Não deve existir um medo de assumir uma postura mais incisiva e acreditar no talento existente nas fileiras nacionais, sendo que mesmo as gerações mais jovens contam com inúmeros jogadores que irão aportar qualidade num futuro próximo.

A “era CR7” foi uma das mais bonitas de sempre e existe um legado infindável que Cristiano Ronaldo deixa a esta seleção, no entanto, a mentalidade competitiva tem de se manter, com uma ideia concreta e aproveitando os grandes jogadores que Portugal tem na atualidade.

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