Em 2022, Marrocos chegou às meias-finais, a Arábia Saudita bateu a Argentina e o Japão eliminou a Alemanha e a Espanha, em boa verdade, nenhum destes resultados estava no radar das casas de apostas antes do torneio.
O Mundial de 2026 tem 48 seleções, mais jogos e um formato que aumenta a exposição das equipas menos cotadas, sendo que para quem aposta com a cabeça fria, os outsiders são onde está o valor.
Assim sendo, acompanhe-nos nesta análise das melhores probabilidades de “underdogs” para o torneio, sendo que as odds abaixo são referência de mercado disponíveis na LSBet antes do arranque do torneio a 11 de junho.
Marrocos – Odd 29.00
A prova de que Marrocos não é outsider por acidente está no Qatar.
A seleção norte-africana eliminou a Espanha, Portugal e chegou às meias-finais, a melhor campanha africana da história do torneio.
Walid Regragui mantém o bloco base desse conjunto: Achraf Hakimi, Sofyan Amrabat, Yassine Bounou e Brahim Díaz continuam na convocatória, mantendo também a organização defensiva que neutralizou a tiki-taka espanhola e o futebol de construção português.
No Grupo C, Marrocos defronta o Brasil logo na primeira jornada e Ancelotti reconheceu-o como o adversário mais difícil do grupo.
Se o Marrocos passar esse teste, e tem capacidade para o fazer, chega ao mata-mata com experiência de torneios grandes e sem o desgaste psicológico de quem ainda tem de provar o que vale.
A odd de 29.00 dá um retorno de 29 vezes o valor apostado e para uma seleção que chegou às meias-finais há quatro anos com praticamente a mesma equipa, é uma probabilidade que o mercado não vai sustentar muito tempo depois do arranque.

Turquia – Odd 34.00
A Turquia está num Mundial pela primeira vez desde 2002, o ano em que ficou em terceiro.
Esta geração é diferente da que chegou à meia-final de Sénol Güneş: tem Arda Güler no Real Madrid, Hakan Çalhanoglu da Inter de Milão e Kenan Yildiz da Juventus, mas, sobretudo, Vincenzo Montella construiu uma equipa com bloco defensivo disciplinado e transições rápidas que causaram problemas a adversários europeus de qualidade nas eliminatórias.
O Grupo D é aberto, sendo que há quem acredite que os EUA partem como ligeiros favoritos, mas a diferença para a Turquia nas odds de vencer o grupo não é grande.
Se Arda Güler estiver fisicamente disponível, e chegou ao torneio a recuperar de lesão, a Turquia tem um jogador capaz de decidir qualquer jogo com um momento de qualidade individual.
A odd de 34.00 desconta excessivamente a qualidade do plantel e a experiência europeia de quem o compõe.
Japão – Odd 51.00
O Japão eliminou a Alemanha e a Espanha em 2022 e saiu nos oitavos com a Croácia nos penáltis.
A realidade é esta e não podemos considerar isto um “acidente”, mas sim resultado de uma geração com mais jogadores em clubes europeus de topo do que qualquer seleção asiática na história.
Takefusa Kubo, Kaoru Mitoma, Wataru Endo no Liverpool, Ritsu Doan campeão da Bundesliga com o Bayer Leverkusen. Hajime Moriyasu preparou sempre os jogos contra favoritos com uma compacidade defensiva que anula a superioridade individual dos adversários.
No Grupo F, o Japão abre com os Países Baixos em Dallas, exatamente o tipo de jogo em que esta seleção prospera: adversário favorito, expectativa baixa, organização alta.
A odd de 51.00 é generosa para uma equipa que provou em 2022 que tem argumentos para chegar aos quartos-de-final, o que demonstra que o mercado ainda trata o Japão como outsider por localização geográfica, não por qualidade.
Colômbia – Odd 41.00
Néstor Lorenzo tem uma equipa com identidade clara: transições verticais, pressão alta e qualidade individual nas duas fases.
Richard Ríos chegou ao Benfica como um dos médios mais cobiçados do mercado europeu, Luis Díaz vem do Bayern Munich numa tremenda forma e Jhon Córdoba dá presença física no ataque.
O Grupo K coloca a Colômbia frente a Portugal na última jornada, em Miami.
Se a Colômbia chegar a esse jogo já apurada, Néstor Lorenzo pode poupar jogadores e preservar energia para o mata-mata. Se chegar a precisar de um resultado, o jogo vai ser difícil para Portugal e a Colômbia tem argumentos para ganhar.
A odd de 41.00 para vencer o torneio desconta excessivamente uma seleção que chegou ao Mundial em segundo na CONMEBOL.
Sendo importante conferir assim os mercados de chegada aos quartos-de-final, onde a cotação desce consideravelmente e o valor é ainda mais evidente.

Uruguai – Odd 26.00
O Uruguai de Marcelo Bielsa é a opção mais cotada desta lista, mas continua a ser outsider face ao bloco principal.
Federico Valverde é um dos três ou quatro médios mais completos do torneio, Darwin Núñez tem a capacidade física e técnica para desequilibrar qualquer defesa e Ronald Araújo, quando está disponível, é um dos melhores defesas centrais em competição.
O Grupo H coloca o Uruguai frente à Espanha, Cabo Verde e Arábia Saudita.
O confronto com a Espanha na última jornada pode ser o jogo decisivo do grupo e se o Uruguai chegar a esse encontro com possibilidades de passagem, Bielsa tem a experiência e o plantel para causar uma surpresa.
A odd de 26.00 para vencer o torneio dá retorno atrativo por uma seleção com dois Mundiais ganhos, experiência de competições decisivas e um dos treinadores mais preparados do torneio.
O que nos diz o histórico
Dos últimos quatro Mundiais, nenhum foi ganho pela seleção com a odd mais baixa antes do torneio.
Itália ganhou em 2006 como segundo ou terceiro favorito, a Alemanha ganhou em 2014 com Messi a ser o maior candidato individual, a França ganhou em 2018 numa edição em que a Alemanha e o Brasil eram cotados abaixo e, no fim, a Argentina ganhou em 2022 depois de perder para a Arábia Saudita na fase de grupos.
O formato de 48 seleções e 104 jogos aumenta a exposição de todos os candidatos ao título, mais jogos significam mais oportunidades de tropeçar.
As seleções que chegarem ao mata-mata com menos desgaste, melhor gestão de viagens e um sistema de jogo difícil de preparar em dois dias vão ter vantagem sobre os favoritos com estrelas, mas sem coesão.
Marrocos, Turquia, Japão e Colômbia têm os três ingredientes e as odds reflectem o passado, mas o futebol, esse joga-se no presente.